Prezado Mr. John Smith,
Agradecemos carta da sua empresa mostrando interesse em investirem no Brasil.
Gostaríamos primeiramente de lembrá-los que ao comprar uma empresa já existente, ao contrário do que se possa imaginar, os senhores não estarão gerando empregos, nem aumentando a produção.
Num primeiro momento vocês vão é piorar a nossa situação já que os dividendos que eram pagos em reais, passarão a ser pagos em dólares.
É o caso da Telebrás por exemplo, recém privatizada pelo governo Fernando Henrique e vendida para empresas estrangeiras.
O problema que quero lembrar os senhores é que investir num pais sem se preocupar se o pais terá ou não as divisas no futuro para repatriar o capital e os lucros, tem sido o erro que está gerando esta confusão no mundo todo.
Este é o problema da Europa agora, aceitou bilhões de investidores de fora que agora querem fugir em pânico e não há dolares suficientes para tal.
Acreditar que o livre mercado irá suprir os dólares na hora em que os investidores quiserem provou ser um erro dos economistas neo-liberais.
Muitos economistas acham que o ônus de garantir estes dólares deve ser do governo, através da manutenção de volumosas e caríssimas reservas, ou em última instância do FMI, ou de um novo organismo a ser criado. Ingenuidade.
Se vocês com os seus contatos internacionais redirecionarem a produção da empresa brasileira a ser comprada para o mercado exportador, o necessário para gerar as divisas dos juros e dividendos, as suas preocupações diminuirão.
Normalmente, se somente 2% da produção local fosse exportada, isto seria o suficiente e nunca mais vocês ficariam em pânico se as nossas reservas caissem.
Para isto precisamos terminar com a reserva de mercado do Ministério da Fazenda que concentara para sí todas as dívisas estrangeiras.
Pelas leis dos economistas sua empresa não tem o direito de usar as divisas geradas pelas suas exportações para pagar os dividendos ou repatriar o seu investimento.
Reservas em dólares é um direito que só os economistas de Estado possuem, e não administradores de empresas brasileiras ou estrangeiras. Uma forma deles terem mais poder político, e poder dispensar favores aos amigos mais próximos.
Mas isto podemos lutar para acabar com este previlégio.
Se o setor onde vocês pretendem investir não for passível de exportação, façam uma parceria, como a McDonald's, que exporta carne brasileira ( que não produz ) para as suas filiais no Japão.
Nosso governo, como a maioria dos governos da Ásia e da Rússia, está tão ávido por investimentos estrangeiros, que reluta em exigir algumas condições mínimas que garantam a segurança futura do próprio investimento.
É o que um país administrado por administradores faria.
Aceitariamos investimentos estrangeiros que fossem auto sustentáveis, que gerassem o seu próprio “ exit strategy”, como reza todo manual de investimento.
Agora, a intenção do governo é de aumentar o IOF sobre o investimento, o que claramente não resolve o problema que estamos discutindo.
Na carta de intenção que vocês farão ao governo, tentem negociar a substituição deste imposto, por um compromisso de gerar um certo volume de exportações por ano, e que seria prioritariamente de vocês para usar como quisessem.
Ai, em vez de ficarem de olho nas nossas reservas, vocês ficariam de olho nas suas próprias exportações.
Vocês já usaram este tipo de raciocínio quando foram para a Lua e levaram sabiamente o combustível para a sua viagem de volta.
Acontece que o nosso combustível se chama Real e não dólares.
Portanto, se quiserem voltar ao pais de origem, vocês vão ter que produzir o combustível de volta, neste caso exportando.
Investidores não gostam de restrições na hora de investir, e isto traria uma redução no fluxo de capitais entre nações, mas pensem bem, não faz sentido investir no Brasil e depois não ter como remeter os merecidos dividendos.
Pega mal para ambos os paises.
Não é este o espirito do neo-liberalismo, que cada um tem de resolver seus próprios problemas sem depender do estado ?
Não esqueçam do que vocês aprenderam nas suas escolas de administração:
Um investimento que dependa da boa vontade ou de uma promessa futura de um governo em arrumar dólares, mesmo que seja do governo americano ou do FMI, jamais deveria ser feito.
Infelizmente, os Bancos Centrais do mundo querem poder e monopólio sobre as reservas cambiais, e não permitem administradores fazerem as suas reservas em dólar, para assegurar a remessa de juros e dividendos, sem ter que comprar no mercado spot, ou no meio de uma crise.
O mundo seria muito mais estável, as crises seriam muito menores, se usássemos os ensinamentos da ciência da administração, do que o discurso único centralizador da ciência da economia.
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